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sábado, 18 de julho de 2015

Biografias musicais para a Rádio Nacional/Funarte - Ernersto Nazareh


Estúdio F
Ernesto Nazareth



Bloco 1

Á U D I O T E X T O

Música-tema entra e fica em BG;

Locutor - A Rádio Nacional apresenta
ESTUDIO F,
Momentos Musicais da Funarte

Apresentação de ----- (1’25”)

Paulo Cesar: Pianista talentoso, de repercussão internacional, viveu na fronteira entre o popular e o clássico. Há quem o conside pai da música popular brasileira ou mesmo o pai do choro. É referência quando o assunto é o tango brasileiro. Nosso homenageado compôs mais de 200 músicas e teve uma história de vida tão intensa quanto os tangos, polcas e valsas que compôs. (20”)
Entra “Você bem sabe”, fica até 25”, cai como Bg do trecho grifado.
Começa em 06”
Paulo Cesar: Ernesto Nazareth é o nosso homenageado deste Estúdio F.
Sobe “Você bem sabe” e termina como Bg no trecho abaixo. 2’56”
Paulo Cesar: Ouvimos a polca lundu “Você bem sabe”, a primeira composição de Ernesto Nazareth, nessa versão, executada pela pianista Cleida Lourenço.
Fim do século dezenove, início do século vinte. Tempo em que não existia rádio, os discos eram poucos, as gravadoras raríssimas e o cinema, mudo. Foi nesse cenário que Ernesto Nazareth conseguiu a façanha de, ao mesmo tempo, cair no gosto popular e conquistar o público erudito. Como a maioria dos compositores, viveu da venda das partituras nas casas de música, das apresentações e das aulas particulares de piano que dava a jovens – e felizardos – aprendizes.
O título “Você bem sabe” foi um recado de Ernesto Nazareth para o pai, aos quatorze anos, para que soubesse que era da arte que o rapaz tinha escolhido viver. No ano seguinte, a canção foi editada, pela famosa Casa Arthur Napoleão.
A paixão pelo piano começou por incentivo da mãe, que morreu precocemente, quando Ernesto Nazareth tinha dez anos de idade. Dali para frente, o menino teve aulas com Charles Lambert (Lambér), um famoso professor vindo de Nova Orleans, nos Estados Unidos, a quem os estudiosos atribuem a influência black (bléck) nas composições de Ernesto Nazareth. As partituras deste carioca são tidas como as primeiras aparições do jazz na música erudita brasileira.
Aos 17 anos, após compor a polca “Cruz, perigo!”, Ernesto Nazareth fez sua primeira apresentação pública, mas foi com outra polca, escrita em 1881, que ele acabou conquistando o sucesso. A canção “Não Caio N’outra” teve diversas reedições e foi escrita em resposta a uma polca de Viriato Figueira da Silva chamada “Caiu! Não Disse?”. Vamos ouvir. (1’30")
Entra “Não caio n’outra” e fica até o final. 2'37"
Paulo Cesar: Essa foi “Não caio n’outra”, em gravação de 1958, por Darci Barbosa e Banda.
Naquele tempo, o maxixe, era um ritmo mal visto pelo público mais conservador, que também era quem podia pagar pelas apresentações e pelas partituras. Eram canções que animavam os forrobodós. Músicas de dança, algumas até proibidas nas salas das moças de família. Para agradar a esse público, algumas composições recebem uma nova roupagem, com o nome de tango brasileiro. Esse tango foi criado a partir da música cubana, com harmonia um pouco mais complexa, mas principalmente para esconder a relação com o maxixe das festas populares. Ernesto Nazareth sabia que pra fazer sucesso e sobreviver da música não seria prático ser identificado como popular, por isso buscava ligação com os clássicos, eruditos. Assim, o pianista viveu nesta fronteira, inspirando-se em Chopin (Chopén) numas partituras e fazendo tanguinhos dançantes em outras. Essa foi a razão de ter usado um pseudônimo de Renaud (Renô) para assinar o famoso maxixe “Dengoso”. Na sequencia, vamos ouvir esse maxixe executado pela Orquestra Sinfônica de Recife. (1’)
Entra “Dengoso e fica até o final. 2'17"

Paulo Cesar: Em 1893, a Casa Vieira Machado lançou o primeiro ‘tango brasileiro’ de autoria de Ernesto Nazareth: "Brejeiro". A música foi vendida por cinquenta mil-réis, o que em 2014 seria o equivalente a quinhentos reais. “Brejeiro” consagrou Ernesto Nazareth como o grande nome do tango no Brasil e no mundo, sendo publicada tanto em Paris quanto nos Estados Unidos. Está no ar a interpretação de Francisco Mignone. (30”)

Entra “Brejeiro” como bg, sobe e fica até o final. 3'19"
https://www.youtube.com/watch?v=aKJW0QssSrc

Paulo Cesar: No próximo bloco, o grande sucesso no Odeon e com o Odeon: o tango em homenagem ao cinema carioca que dá ainda mais destaque a Ernesto Nazareth. (10”)
Locutor: Estamos apresentando Estúdio F,
Momentos Musicais da Funarte. (3”)
(TOTAL DO BLOCO 17’)
I N T E R V A L O
  1. Insert Chamada Funarte
Á U D I O T E X T O
Música-tema entra e fica em BG;

Locutor: Continuamos com Estúdio F
Bloco começa direto com "Flauta, cavaquinho e violão” (https://www.youtube.com/watch?v=yMVJTL9TmWo), que fica em primeiro plano até 01:16, quando cai em BG durante o seguinte texto:
Paulo Cesar: O samba-choro “Flauta, cavaquinho e violão”, esse que estamos ouvindo na voz de Aracy de Almeida, foi uma das muitas homenagens feitas a Ernesto Nazareth por grandes nomes da música brasileira. Com música de Custódio Mesquita e letra de Orestes Barbosa, a composição confirmava a importância de Nazareth para toda uma geração de compositores brasileiros. Como Heitor Villa-Lobos, que em 1920 dedicou a Ernesto Nazareth a peça "Choros nº 1", feita para violão. Em 1922, o mestre do tango brasileiro retribui a gentileza com a dedicatória a Villa-Lobos na música “Improviso”. No ar, “Choros nº 1”, executado pelo violonista Turibio Santos. (35”)

Entra “Choros n. 1” entra como bg, sobe e fica até o final. 3'16"

Paulo Cesar: Durante cinco anos, Ernesto Nazareth trabalhou na sala de espera do Odeon, um dos principais cinemas do Centro do Rio de Janeiro. Por lá, conquistou personalidades ilustres, que passaram a freqüentar o prédio não para ver filmes, mas para assistir a Ernesto Nazareth e seu piano. Assim, conheceu compositores e autoridades que lhe renderam outros trabalhos de prestígio. Um retorno que o inspirou em sua composição de maior sucesso, feita em 1910: o choro “Odeon”, que 50 anos mais tarde receberia letra de Vinícius de Moraes. Gravada por Nara Leão, integrou a trilha sonora da novela “A Sucessora”, exibida pela Rede Globo entre 1978 e 79. A seguir: a obra prima de Ernesto Nazareth na voz de Nara Leão. (45”)
Entra “Odeon” e fica até o final. 2'45"
Paulo Cesar: Ao se inspirar em Chopin (Chopén) e dar ares europeus à música dançante brasileira, Ernesto Nazareth conquistou o respeito e a admiração do público e dos colegas artistas, mas um grupo ainda não o considerava digno das salas de concerto que recebiam celebridades européias da música clássica. O modismo europeu tomava conta do Rio de Janeiro, de modo que Ernesto Nazareth e tudo mais considerado mestiçagem” – deixaram de ser bem vindos para uma suposta elite cultural. Era a Belle Époque, o sonho com a vida parisiense e a negação dos elementos de cultura popular. A participação dele no concerto que, em 1908, celebraria o “Centenário da Abertura dos Portos Brasileiros por Dom João Sexto, virou um grande escândalo. Depois, em 1922, quando Nazareth foi convidado pelo compositor Luciano Gallet (Galé) a participar de um recital no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, foi preciso força policial para que o evento ocorresse. Estamos ouvindo uma das canções executadas nesse recital: “Bambino”, gravada por Arthur Moreira Lima, em 1975. (45”)
Entra “Bambino” como bg no trecho grifado, sobe e fica até o final. (3’21”)
Paulo Cesar: Aos 63 anos, Ernesto Nazareth saiu pela primeira vez do estado do Rio de Janeiro. Seguiu para uma excursão em São Paulo. Inicialmente a turnê estava prevista para durar 3 meses, mas acabou se prolongando por quase um ano, deixando a capital do estado e passando também pelas cidades de Campinas, Sorocaba e Tatuí. Diferentemente do que tinha acontecido no Rio, onde Nazareth penou com a resistência nas salas tradicionais, em São Paulo ele foi homenageado por Mário de Andrade, convidado a se apresentar no Conservatório Dramático e Musical de Campinas e no Teatro Municipal. Assim que voltou ao Rio de Janeiro, fez sua única gravação lançada em disco. A seguir, Escovado, executado pelo próprio Nazareth, em 1930. (42”)
Entra “Escovado” e fica até o final. (2’25”)

Paulo Cesar: No próximo bloco, surdez, sífilis e loucura derrubam o gênio do tango brasileiro. (10”)
Locutor: Estamos apresentando Estúdio F,
Momentos Musicais da Funarte. (3”)

(TOTAL DO BLOCO 17’)

I N T E R V A L O

  1. Insert Chamada Funarte
Á U D I O T E X T O
Música-tema entra e fica em BG;

Locutor: Continuamos com Estúdio F
Entra “Nenê” e fica até 2’50, cai e vira bg no trecho grifado, até o final. (3’)
É a primeira música
Paulo Cesar: Essa foi a música “Nenê”, tango executado pelo próprio Ernesto Nazareth em setembro de 1930.
Sem formação clássica, o gênio do nosso tango era chamado por uma suposta elite cultural da sua época como pianeiro, termo pejorativo que indicava alguém sem educação formal para o piano, o que muito magoava Nazareth. Mas o tempo mostrou todo o valor do artista. Ele tornou-se o ídolo de grandes músicos de diferentes lugares do mundo, principalmente brasileiros. Foi o caso de Radamés Gnattali (Nhátali), que se encantou ao ver Nazareth tocando no Cine Odeon e depois gravou algumas de suas composições. Jacob do Bandolim também estudou incansavelmente os manuscritos de Nazareth. Na sequencia, a composição de Ernesto Nazareth, “Ameno Resedá”, uma homenagem ao mais popular rancho carnavalesco carioca, interpretada por Jacob do Bandolim e o conjunto Época de Ouro, no álbum “Chorinho e chorões”, de 1961. (50”)

Entra “Ameno Resedá” e fica até o final. 2'15"
Paulo Cesar: Ernesto Nazareth deixou mais de duzentas peças completas para piano. Não só de tangos foi a sua produção: escreveu 20 polcas, mais de 40 valsas, além de 90 tangos e outras músicas de gêneros variados. A valsa ''Coração que sente'' foi dedicada por ele a uma aluna de nome Gabriella Cruz. Nazareth contou pra ela o sofrimento dos últimos dias de vida de um sobrinho e a menina desabou em prantos, ouvindo em seguida do professor: Gabriella, você é muito sensível, um coração que sente.” Na semana seguinte, presenteou a aluna com o manuscrito da valsa que ouvimos agora, na apresentação de Maria Teresa Madeira. (30”)
Paulo Cesar: Ernesto Nazareth tinha dez anos de idade quando caiu de uma árvore e bateu a cabeça com força, começando a perder a audição. O problema foi se agravando e, com o tempo, ele passou a ter que tocar curvado sobre o piano, para conseguir escutar a própria música. Até que, no final dos anos 20, estava completamente surdo. Esse momento de tanta dor virou um dos mais alegres tangos do compositor, que Arhur Moreira Lima toca agora no Estúdio F: "Apanhei-te, cavaquinho!" (30”)
Entra "Apanhei-te, cavaquinho" e fica até o final. (2'05")


Paulo Cesar: Se a surdez não impediu Ernesto Nazareth de compor, outra doença terminou com a carreira do pianista. Em 1932, ele recebeu a notícia de que era portador de sífilis e a doença rapidamente atingiu seu sistema nervoso central, causando delírios. A primeira tentativa da família foi o tratamento no Hospício Dom Pedro Segundo, na Praia Vermelha, mas o músico fugiu algumas vezes de lá. Então, um ano depois, Nazareth foi internado na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá. Na data em que seu filho morreu, se embrenhou pela mata, durante um delírio, provavelmente em busca do filho morto. O corpo do pianista, nascido em 20 de março de 1863, foi encontrado no dia 4 de fevereiro de 1933, boiando em uma represa. Ao longo de setenta anos, Ernesto Nazareth travou várias lutas: a falta de dinheiro, como Mozart, a Sífilis como Schubert, a surdez como Beethoven e a loucura como Schumann. Esteve sempre entre os melhores, deixando um legado que elevou o tango brasileiro perante músicos de todo o mundo. Para finalizar a homenagem do Estúdio F, Odeon, executado pelo pianista alemão Bernd Lhotzky (Bérn Lótski). (1’20”)
Entra "Odeon" e fica até o final. (3'04")

Entra música tema do Estúdio F e fica em BG com a narrativa abaixo grifada. (57”)
Paulo Cesar: O programa de hoje foi roteirizado pela pesquisadora e jornalista Aline Veroneze com supervisão de Pedro Paulo Malta. O Estúdio F é apresentado toda semana pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro e nas Rádios Nacional de Brasília e da Amazônia, emissoras EBC – Empresa Brasil de Comunicação. Os programas da série também são uma das atrações do Portal das Artes. O endereço é www.funarte.gov.br. Cultura ao alcance de um clique! Você também pode ouvir o programa pelo site da EBC: www.ebc.com.br. Quem quiser pode escrever para nós, o endereço é: estudiof@ebc.com.br


Apresentador: Valeu, pessoal! Até a próxima!!!
OBS: O terceiro bloco tem um total de (19')
Total aproximado (53')
CHAMADA:

Apresentador: Ele projetou o tango brasileiro a nível internacional. Inspirado em Chopin (Chopén) e dedicado a tocar como os eruditos, criou um estilo que acabou por também torná-lo popular. Sua vida foi tão intensa quanto seus tangos. A história de Ernesto Nazareth é o tema do próximo Estúdio F na segunda-feira, às 21 horas, aqui na Rádio Nacional. (20”)