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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Para quem gosta de teatro, um artigo meu para o site da Funarte sobre Fernando Peixoto

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O versátil Fernando Peixoto


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Em 2012, quando Fernando Peixoto morreu, aos 70 anos, seu acervo pessoal foi comprado pela Funarte. Entre os itens que chegaram, estavam 189 fitas cassete, uma biblioteca com cerca de dez mil livros, 26 agendas, 638 discos, 695 cartazes, 321 fitas de vídeo, 311 textos teatrais, 360 panfletos, 60 dossiês, 1.500 jornais e mais de 400 revistas, além de caixas com fotos, documentos e livretos; medalhas; uma máquina de escrever; uma maquete; 64 quadros e 11 estatuetas. Fotos de espetáculos em que Fernando Peixoto participou já faziam parte do centro de documentação da instituição.
Fernando Peixoto iniciou a carreira subindo ao palco em 1955, aos 17 anos, para substituir Antônio Abujamra na peça A corda, de Patrick Hamilton. Uma de suas primeiras direções foi uma crítica ao capitalismo, no espetáculo “Frank V”, de Dürrenmatt, a convite de Maurício e Beatriz Segal, donos do Theatro São Pedro, pela qual recebeu muitos elogios. Um deles partiu do também diretor de teatro Ulysses Cruz, em entrevista à Folha de São Paulo: “Estive lá e jamais esqueci. O engajamento político e a precisão com que o diretor orquestrava tudo naquele palco enorme. Era emocionante. Era teatro raro”.
Durante oito anos, Fernando Peixoto foi um dos sócios do Teatro Oficina, em São Paulo, no qual participou de todos os espetáculos. Nos anos 1970, ele viajou para estudar e atuar em Montevidéu, São Francisco, Nova York, Paris, Florença, Cidade do México, Lima, entre outros lugares. Integrou o Grupo Oficina, principalmente na assistência de direção. Com o grupo Arena, rodou os Estados Unidos e a América Latina. Como ator, enfrentou a pior fase da ditadura no teatro nacional. Foi destaque no cinema em O predileto, de Roberto Paumari; Fogo morto, de Marcos Faria; e A queda, de Ruy Guerra. Como diretor de televisão, atuou no Brasil e também no exterior, como, por exemplo, em 1964, em O Cimento, de Guarnieri, no canal 4, em Montevidéu.
Com Um grito parado no ar, de Gianfrancesco Guarnieri, Fernando ganhou do prêmio Air France quatro meses de viagem. As ”férias” renderam uma gravação em uma colônia na Alemanha, uma peça de teatro para rádio, uma montagem com o grupo Teatro Aquarius, entre outros trabalhos, sempre com a preocupação de fazer o público pensar.
Reconhecido como grande diretor de teatro, Fernando Peixoto, na verdade, trabalhou em diversas frentes, em diversos veículos (televisão, cinema, teatro, jornal): atuou, dirigiu, lecionou, fez traduções, foi crítico, chefiou o Departamento de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo e escreveu e publicou três livros.
Por Aline Veroneze
Revisão de Pedro Paulo Malta e Maria Cristina Martins