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sábado, 18 de julho de 2015

Biografias musicais para a Rádio Nacional/Funarte - Demônios da Garoa


Estúdio F

Demônios da garoa




Á U D I O T E X T O

Música-tema entra e fica em BG;

Locutor - A Rádio Nacional apresenta
ESTUDIO F,
Momentos Musicais da Funarte

Apresentação de ----- (1’25”)

Apresentador: Eles entraram para o Guiness book (guínes buque) como o grupo mais antigo em atividade do mundo. O segredo: abusam do bom humor, fazendo samba da melhor qualidade. Impossível resistir ao “Quais, quais,quais”, não cair no “Samba do Arnesto”, ou sorrir cantarolando “Time perna de pau!”
Assim, “se o sinhô num ta lembrado, dá licença deu contar” a história de como, nossos homenageados do Estúdio F de hoje, os “Demônios da Garoa” chegaram ao estrelato. (30”)

Entra “Apaga o fogo, Mané” e fica até o final. (2’50”)
http://www.vagalume.com.br/demonios-da-garoa/apaga-o-fogo-mane.html
Apresentador: Essa foi “Apaga o fogo, Mané”, interpretada pelos “Demônios da garoa”, em parceria com Leci Brandão.
A história dos “Demônios da garoa” começou como brincadeira de criança, nos anos quarenta, com um grupo de adolescentes de 12 a 14 anos que se reunia à noite, na Mooca, subúrbio de São Paulo, para fazer barulho. Por isso, o primeiro nome do conjunto foi “Grupo Luar”. A inspiração vinha das batucadas das músicas que ouviam, simples e bem humoradas. Nessa lista constavam “Quatro Ases e Um Coringa”, “Anjos do Inferno”, “Quitandinha”, “Vocalistas Tropicais”. Para entrar no clima dessa história , o Estúdio F toca agora "Xô! Xô! Um baião transformado em samba de Antônio Almeida e Ciro de Souza, que foi gravado pela Continental em 1941, quando ainda era Gravadora Colúmbia e interpretada pelos “Anjos do Inferno”. (33”)

Entra “XÔ! XÔ!” como bg, sobe e fica até o final. (1’45”)
Cortar em 1’45”

Apresentador: A história dos meninos da Mooca, que viriam a se tornar os “Demônios da garoa”, começou a mudar de verdade, quando, depois de muito tocar para os amigos, resolveram se inscrever no programa de calouros da Rádio Bandeirantes, chamado “A Hora da Bomba”, apresentado por J. Antônio D'Avila. Com a canção “Quem Se Aluga, São Miguel”, tiraram o primeiro lugar e assinaram um contrato para três apresentações semanais. O radialista Vicente Leporace sugeriu aos meninos que trocassem o nome do conjunto. Ele achava que a palavra “Grupo” lembrava o jogo-de-bicho e os seis concordaram. Os rapazes eram de uma alegria, uma molecagem tão grande, que os radialistas diziam que eles eram endiabrados, encapetados mesmo! E não é que fizeram um concurso e um ouvinte de rádio sugeriu como nome “Demônios da Garoa”! Assim, um ano depois de se organizarem como grupo, Arnaldo Rosa, nos vocais; os irmãos Antônio e Benedito Espanha, no tantã e no afoxé; Waldemar Pezuol, no violão; Zezinho, no violão tenor e Bruno Michelucci, no pandeiro ganharam nova identidade. Eram “Os Demônios da Garoa”. Na sequência, o quinteto, acompanhado pelo som da sanfona de Mário Zan em “Sanfoneiro folgado”, canção gravada em 1949. (1’15”)

Entra “Sanfoneiro folgado” e fica até o final. (3’04”)

Apresentador: Em 1947, os “Demônios da Garoa” se apresentaram para o diretor artístico da Record e foram contratados imediatamente, assinando um contrato que durou 12 anos. Caíram na boca do povo, muito antes de rodarem pelas agulhas das vitrolas. Por sete anos eles se apresentaram nos veículos de comunicação e fizeram shows, sem gravar um só disco. Quando resolveram entrar em um estúdio, em 1950, não pararam mais. Naquele ano foram dois discos pela Elite Musical, no ano seguinte foram cinco e com o passar do tempo tornaram-se um dos grupos que mais lançaram álbuns no Brasil. Ao completarem setenta anos, já tinham 69 compactos simples, 6 compactos duplos, 34 LPs e 13 CDs. No disco “Raízes do samba”, eles convidam: “Vem cantar comigo!” (45”)
Entra “Vem cantar comigo” e fica até o final. (1’24”)
Cortar começo em 2’17” , fica até o fim que é em 3’41”
Apresentador: Ao mesmo tempo em que cumpriam a rotina das rádios, os “Demônios da garoa” foram convidados a estrear na telona. Fizeram um arranjo para a música "Mulhé Rendeira” com a participação de Homero Marques, para a trilha sonora de "O Cangaceiro", de Lima Barreto, que foi um sucesso. O filme foi considerado o “Melhor Filme de Aventura do Festival de Cannes”, em 1953, com menção especial do júri pela trilha sonora. Vamos ouvir agora a versão de “Demônios da Garoa” de “Mulhé rendeira”, música do xaxado brasileiro, que teria sido escrita pelo próprio Lampião, em homenagem a sua avó. (35”)
Entra “Mulher rendeira” e fica até o final. (3’07”)

Apresentador: No próximo bloco, os “Demônios da Garoa” acertam o “Tiro ao Álvaro” na parceria com Adoniran Barbosa e colocam o Brasil para cantar a “Saudosa Maloca”. (10”)
Locutor: Estamos apresentando Estúdio F,
Momentos Musicais da Funarte. (3”)

(TOTAL DO BLOCO 18”)

I N T E R V A L O

  • Insert Chamada Funarte
  • Locutor: Voltamos com Estúdio F

Apresentador: A parceria com Adoniran Barbosa marcou a trajetória dos “Demônios da Garoa”. Em entrevista à TV Cultura, um dos fundadores do grupo, Arnaldo Rosa, explicou como tudo começou. Um dia escutaram “Saudosa Maloca” que Adoniram havia gravado sozinho. Gostaram da música, do samba e criaram o jeito gaiato de interpretar o personagem. Imitavam os engraxates que ficavam na rua Venceslau Braz, no bairro da Sé, em São Paulo, que cantarolavam batendo nas latas. O diretor da rádio Nacional, Costa Lima, passou por ali e ouviu os “Demônios” cantando. Mandou que ensaiassem, pois no que dependesse dele, aquele seria o sucesso do ano. E foi. (35”)

Entra “Saudosa Maloca” e fica até o final. (2’48”)

Apresentador: Foi no carnaval que os “Demônios da Garoa” surpreenderam o país. Com a música “Malvina”, venceram o ‘Concurso de Músicas do Carnaval Paulista’ de 1951. No ano seguinte, com a gravação de “Joga Chave” - também de Adoniran Barbosa - repetiram o sucesso e o título. Botaram banca, quem diria, até no Rio de Janeiro: logo nas comemorações do quarto centenário da fundação da cidade, os “Demônios da garoa” venceram o concurso de músicas carnavalescas com “Trem das onze”, mostrando que de São Paulo também sai samba de qualidade. Essa música acabou se tornando uma espécie de hino informal de São Paulo e o maior sucesso tanto do grupo quanto de Adoniran. Depois de ter sido lançada pelos “Demônios da garoa”, “Trem das onze” foi regravada por dezenas de artistas. A versão do quinteto já está no ar, no Estúdio F! (50”)
Entra “Trem das onze” como bg, sobe e fica até o final (2’35”).
Cortar nesse tempo
Apresentador: A interpretação dos “Demônios da Garoa” colocava, propositadamente, erros gramaticais na letra, com intenção de reforçar o lado cômico do acontecimento. Muitas vezes a canção falava de um incêndio, de uma morte, mas dita daquele jeito meio atrapalhado, continuava a fazer rir. Esta modificação, inicialmente aborreceu Adoniran Barbosa, mas conquistou definitivamente o povo, fazendo com que o compositor se rendesse e se tornasse, ele mesmo, fã daquele jeito de fazer música. A gente ouve agora, “Tiro ao Álvaro”, lançado no lp "Demônios da Garoa", pela Odeon, em 1958. (40”)
Entra “Tiro ao Álvaro” e fica até o final. (1’26”)

Apresentador: A carreira sólida dos “Demônios da garoa” foi reconhecida pela população de São Paulo. Numa pesquisa interativa durante as comemorações dos 450 anos da cidade, o grupo ficou em primeiro lugar quando perguntado ‘que personalidade mais tinha a cara do município’. A prefeitura paulista prestou sua homenagem ao conjunto instituindo, a partir de 1994, a Semana “Demônios da Garoa”. Assim, anualmente, na terceira semana de setembro, vários nomes de nossa Música Popular Brasileira prestam sua homenagem ao conjunto. Nesse mesmo ano, o grupo gravou um CD comemorativo pelos 50 anos de carreira, pela Warner e Continental, que recebeu o Prêmio Sharp de Música. Na sequência, “São Paulo, menino grande”, escrita por Geraldo Filme e lançada pelos “Demônios da Garoa”, no LP "Leva este", da Chantecler (Chanteclér).(1’)
Entra “São Paulo, menino grande” e fica até o final. (2’39”)

Apresentador: A década de 80 trouxe muitas mudanças para os “Demônios da garoa”. Em 1982, perderam o grande parceiro, compositor Adoniran Barbosa, com 72 anos de idade. Alguns componentes saíram, outros entraram. Aos setenta anos, fazem parte dos “Demônios da garoa”: Izael Caldeira, na timba; Dedé Paraizo, no violão de sete cordas; Canhotinho, no cavaquinho; Sérgio Rosa, no pandeiro e afoxé e Ricardinho Rosa, na percussão, esse últimos, filho e neto de um dos fundadores do grupo, Arnaldo Rosa: a terceira geração de “Demônios”. O grupo encara o tema ‘adeus’ com muito bom humor, cantando um amor que vai embora em “Não emplaca 61”, de Ary Monteiro e Monsueto Meneses, que dá o ‘ar da graça’ agora no Estúdio F. (50’)
Entra “Não emplaca 61” e fica até o final. (2’58”)
http://www.youtube.com/watch?v=CR--4UuC05s&list=PL9489F8459BEEC0CD&index=41


Apresentador: No próximo bloco, os “Demônios da garoa” driblam a censura e até passam de sambistas a enredo de Escola de Samba. (10”)
Locutor: Estamos apresentando Estúdio F,
Momentos Musicais da Funarte. (3”)

(TOTAL DO BLOCO 17”)

I N T E R V A L O

  • Insert Chamada Funarte

Locutor: Voltamos com Estúdio F
Apresentador: Apesar de algumas das canções terem 60, 70 anos, o repertório dos “Demônios da garoa” continua muito atual, porque trata das mesmas desigualdades sociais e dos problemas de grandes metrópoles, como deficiência de transporte coletivo, mortalidade infantil e habitação precária. Em “A Lei no Morro”, de Jorge Duarte e Sérgio Moraes, gravada em 1958, a ordem nas comunidades era ver e calar... (27”)
Entra “A Lei no morro” e fica até o final.(2’33”)
http://www.youtube.com/watch?v=PhbJ7fu3-ic
 Apresentador: Com a fama de ser um grupo que levava tudo na gaita, na brincadeira, os “Demônios da Garoa” conseguiram driblar os censores da ditadura brasileira. Quando Adoniran Barbosa gravou “Samba do Arnesto”, em seu primeiro LP, foi vetado pela censura, com a justificativa de que havia excessos de erros de português, que estava deseducando a população. Mas a gravação da mesma música pelos “Demônios da garoa” foi liberada. Inclusive, o lp “Trem das onze”, da Chantecler, é um dos poucos lps brasileiros que adentrou a era do CD sem nunca ter saído do catálogo. O Estúdio F convida você para curtir o “Samba do Arnesto” que já vai começar”. (38”)
Entra “Samba do Arnesto” e fica até o final. (3’05”)
http://www.youtube.com/watch?v=lxrisjSRzaI


Apresentador: Além de estarem no livro dos recordes, o Guiness Book (Guínes Buque), por antiguidade, os “Demônios da garoa” também foram reconhecidos pela qualidade do samba que fazem. Em 2000, o crítico Ricardo Cravo Albin incluiu a gravação deles de "Saudosa maloca" na coletânea "As 100 músicas do século XX (vinte)". Em seguida, "Trem das onze" que foi a música mais premiada do grupo, foi selecionada para integrar a coletânea "Os pioneiros, os consolidadores e os herdeiros". Dois projetos com o acervo da EMI-Odeon. Como resultado do reconhecimento popular, a canção “Seu querer” recebeu o disco de ouro pela gravadora Warner.(Uórner)Vamos ouvir. (39”)


Entra “Seu Querer” e fica até o final. (2’07”)
Apresentador: Eles já começaram a carreira como um grupo que caiu boca do povo pelos grandes meios de comunicação e, ao longo da sua história, os “Demônios da garoa” fizeram parte da trilha sonora de vários folhetins de televisão. Sua música ajudou a dar ares populares e cômicos a personagens como Ari, da novela Ti ti ti, da Rede Globo, interpretado por Luiz Gustavo, em 1985, e depois por Murilo Benício, em 2010: um sujeito que encara viver a farsa de ser um estilista espanhol, usando os modelos desenhados por uma moradora de rua para viver no luxuoso mundo da moda. A música escrita por Michael Sullivan e Paulo Massadas, ganhou como introdução os “quais, quais, quais”, marca registrada dos “Demônios da garoa”, que, inconfundíveis, criaram um estilo para o samba paulista.
Na passarela, a canção tema do estilista Ari : “A vida é dura”, interpretada pelos “Demônios da garoa” e Benito di Paula. (1’)


Entra “A vida é dura” e fica até o final. (3’06”)


Apresentador: Outra homenagem que os “Demônios da garoa” receberam foi da escola de samba ‘Rosas de Ouro’. Os ‘Demônios’, que mostraram ao Brasil que não só no Rio de Janeiro se fazia bom carnaval, viraram samba enredo. Nei Melodia, Ademir, Ney do cavaco, Xavier e Carlão Mineiro usaram frases das músicas dos “Demônios da garoa” que ficaram imortalizadas - como “Olha nóis aqui travêz”, “Nóis vai, nóis vem” e os “quais, quais, quais” - na composição, levando para a avenida, toda alegria e molecagem do grupo.
Choram cavaquinho e violão, encerrando essa homenagem do Estúdio F aos “Demônios da Garoa”, com o samba enredo de 1998 da Rosas de Ouro: “Samba da Garoa”. (40”)


Entra “Samba na Garoa” e fica até o final. (2’38”)
http://palcomp3.com/rosasdeouro/rosas-de-ouro-1998/
cortar em 2’38”


Entra música tema do Estúdio F e fica em BG com a narrativa abaixo grifada. (57”)


Apresentador: O programa de hoje foi roteirizado pela pesquisadora e jornalista Aline Veroneze com supervisão de Pedro Paulo Malta. O Estúdio F é apresentado toda semana pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro e nas Rádios Nacional de Brasília e da Amazônia, emissoras EBC – Empresa Brasil de Comunicação. Os programas da série também são uma das atrações do Portal das Artes. O endereço é www.funarte.gov.br. Cultura ao alcance de um clique! Você também pode ouvir o programa pelo site da EBC: www.ebc.com.br. Quem quiser pode escrever para nós, o endereço é: estudiof@ebc.com.br


Apresentador: Valeu, pessoal! Até a próxima!!!
OBS: O terceiro bloco tem um total de (18')
Total aproximado (53')
CHAMADA:

Apresentador :Eles entraram para o Livro dos Recordes como grupo mais antigo em atividade. Mostraram ao Brasil que São Paulo também tem carnaval e fazem o maior sucesso com seu português atravessado. Os Demônios da garoa são os homenageados do Estúdio F na segunda-feira, às 21 horas, aqui na Rádio Nacional. (20”)